O poder dos dados para aumentar a influência do RH

Por Rafael Souto - Você RH

A maioria das empresas emprega o discurso de que “as pessoas são o ativo mais importante”. Mas nem sempre a teoria combina com a prática: o RH precisa brigar por um lugar à mesa e provar que é fundameental na estratégia das companhias.

A importância dos talentos para o desempenho de uma companhia é irrefutável. O desafio está, porta​​nto, em usar uma linguagem eficiente ao se comunicar com CEO, CFO e cia. Em recorrer a números que comprovam hipóteses e reforçam argumentos, sem perder as pessoas de vista.

Nessa toada, o people analytics pode ser um bom aliado. Recentemente, o tema se destacou, inclusive, em um relatório do Fórum Econômico Mundial sobre o futuro do trabalho. A pesquisa revelou: 75% das empresas estão implementando ferramentas de inteligência artificial em seus negócios, inclusive de people analytics.

Mais do que auxiliar no recrutamento e seleção, tais ferramentas são capazes de prever o futuro de uma empresa. Ou quase isso. Pode-se a​​nalisar o impacto que determinada decisão terá em uma equipe – e, assim, recalcular a rota.

O tur​​nover, por exemplo, é um bom objeto de estudo. Ao analisar as características e o histórico dos colaboradores que deixaram uma empresa nos últimos a​​nos, as ferramentas de people analytics conseguem identificar quem tem mais chance de se demitir. Dado o alerta, o RH tem mais tempo para agir e evitar os desligamentos de quem vale a pena manter por perto.

Além disso, o dashboard dessas ferramentas é uma atração à parte. Trata-se de uma fábrica de dados, que possibilita dezenas de arranjos – e, claro, gráficos e planilhas são um prato cheio nas reuniões com a diretoria.

Algumas empresas já usam a estratégia para influenciar diretamente o negócio. Uma companhia de bens de consumo, por exemplo, criou um algoritmo para analisar o desempenho dos indivíduos e elaborar programas de treinamento específicos para os principais pontos de melhoria. O objetivo era melhorar a produtividade, e isso aconteceu: as vendas cresceram, o que obviamente agradou o o conselho.

A questão é: os números e a tecnologia já existem. Então, como usá-los para aumentar a influência do RH? Adaptando a comunicação à realidade do negócio. Substituindo a carga emocional do emocional do discurso pelo pragmatismo. Isso não quer dizer que devemos nos despir dos sentimentos, mas rearranjá-los.

Next
Next

RH TEM ATRIBUIÇÃO ESTRATÉGICA NA PAUTA ESG DAS ORGANIZAÇÕES